Há momentos em que a história do jornalismo deixa de ser apenas história do jornalismo. Ela passa a ser história da própria democracia.
Em 1972, dois repórteres do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, começaram a investigar o caso Watergate. O que inicialmente parecia uma invasão à sede do Partido Democrata transformou-se em uma investigação que alcançaria a própria Casa Branca de Richard Nixon.
Para avançar naquela apuração, os jornalistas recorreram a fontes que aceitaram falar sob a condição de anonimato. Uma delas ficou mundialmente conhecida como “Deep Throat (Garganta Profunda)”, cuja identidade somente seria revelada décadas depois.
Watergate tornou-se um dos maiores símbolos da capacidade do jornalismo de investigar o poder.
Mas por que isso foi possível? Porque existia uma relação de confiança entre jornalista e fonte.
É justamente aqui que a história americana encontra uma discussão brasileira que ganhou enorme atualidade com o caso envolvendo o jornalista maranhense Luís Pablo.
Segundo as informações divulgadas, uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes alcançou Raimundo Cutrim, apontado como fonte de reportagens publicadas por Luís Pablo envolvendo o ministro Flávio Dino. O episódio provocou forte reação de entidades de imprensa e abriu uma discussão sobre os limites da investigação estatal diante da garantia constitucional do sigilo da fonte.
O debate chegou ao próprio Supremo Tribunal Federal.
