Nos últimos anos, a saúde mental deixou de ser um tabu. Nunca houve tantos psicólogos, psiquiatras, serviços especializados, medicamentos e informações disponíveis. Falar sobre ansiedade e depressão tornou-se mais natural, empresas passaram a discutir bem-estar emocional e campanhas de conscientização se multiplicaram.
Ainda assim, os números continuam preocupando. Estudos mostram que os transtornos de ansiedade e a depressão permanecem entre as principais causas de incapacidade no mundo, especialmente entre jovens e adultos em idade produtiva.
Como explicar esse aparente paradoxo?
A resposta provavelmente não está em um único motivo, mas na combinação de diversos fatores sociais, culturais e biológicos. Estamos vivendo mais ou nomeando mais o sofrimento?
Parte desse aumento pode refletir um avanço importante: hoje reconhecemos e diagnosticamos problemas que, durante décadas, permaneceram invisíveis. Muitas pessoas, que antes sofriam em silêncio, agora procuram atendimento e recebem tratamento adequado. Isso é um ganho inegável.
Ao mesmo tempo, a psiquiatria discute um fenômeno conhecido como concept creep, expressão utilizada para descrever a ampliação gradual do significado de determinados conceitos psicológicos. Na prática, experiências humanas comuns, como tristeza, frustração, medo, insegurança ou luto, podem acabar sendo interpretadas como sinais de um transtorno mental.
