Não há novidade alguma no que Alexandre de Moraes fez na semana passada contra a fonte do jornalista Luís Pablo. Não foi a primeira vez que avançou sobre fontes jornalísticas, já havia acontecido no caso Tagliaferro; tampouco que afagou, com suas decisões, grupos políticos próximos a Flávio Dino.
Quem acompanha o STF desde a abertura do inquérito das fake news, em 2019, já viu censura, bloqueio de contas, buscas e apreensões, prisões por manifestações políticas e garantias constitucionais relativizadas em nome da “democracia”.
Por que, então, tanta gente se espantou? Porque, diferentemente da ditadura do regime militar dos anos 1970, a ditadura de hoje, promovida pelo STF, disfarça-se e se esconde nas manchetes afáveis da grande imprensa.
Nenhum jornalista, nos anos 1970, ousaria dizer que a tortura era justificável. Mas a que houve contra Filipe Martins é ignorada. Nenhum jornalista seria medonho a ponto de escrever “vigiar e punir: gostoso demais” enquanto o Dops levava alguém para ser interrogado. Nenhum diria que o general Médici lhe ativava a libido ou escreveria “delegado Fleury, pega o meu cartão”. Mas tudo isso ocorreu recentemente em relação à ditadura do STF.
Durante anos, a imprensa esquerdista aceitou que garantias fossem relativizadas quando os alvos eram bolsonaristas, usuários das redes sociais ou jornalistas que ela não considerava suficientemente jornalistas, por não serem de esquerda.
