O governo finalmente abriu o caminho para a renegociação das dívidas rurais. A notícia é importante, mas precisa ser traduzida com cuidado.
Foram autorizados R$ 25,8 bilhões para operações com juros equalizados. O número parece grande. No entanto, representa apenas cerca de 13% da carteira problemática do crédito rural, estimada em R$ 197,2 bilhões.
E existe uma diferença fundamental entre anunciar recursos e fazer o dinheiro chegar ao produtor. A porteira foi aberta. Mas a passagem continua estreita.
De onde vêm os recursos?
A origem está na Medida Provisória 1.376, publicada em julho de 2026. Ela autorizou a criação de linhas para liquidar ou amortizar operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural, as CPRs. Também permitiu a participação da União em um fundo garantidor.
Depois, o Conselho Monetário Nacional regulamentou o programa por meio da Resolução 5.330. Finalmente, uma portaria do Ministério da Fazenda autorizou os limites para a equalização dos juros e indicou as instituições financeiras habilitadas.
Portanto, os R$ 25,8 bilhões não representam dinheiro depositado diretamente na conta dos produtores. Esse é o volume de operações que poderá contar com o apoio do Tesouro para reduzir o custo dos juros cobrados pelos bancos.
Do total, a maior parte foi destinada à agricultura empresarial, enquanto uma parcela menor ficou reservada à agricultura familiar.
