Especialistas no setor portuário e em defesa da concorrência questionam a tese de que há risco de concentração de mercado em Santos caso alguma empresa que já possui ativos no porto vença o leilão do novo superterminal de contêineres.
O engenheiro Luis Claudio Montenegro, sócio-diretor da Neowise Consultoria, afirma que tem havido “erro” em análises sobre o assunto ao desconsiderar a “hinterlândia” do Porto de Santos.
Hinterlândia é o termo usado no setor para identificar a zona de influência de um porto, ou seja, a origem e destino das cargas que passam por seus terminais.
No caso de Santos, segundo Montenegro, os três terminais de contêineres já em operação movimentam 61,7% das cargas da zona de influência que atendem, São Paulo, Minas Gerais, Centro-Oeste, Sul e até parcelas do Norte e do Nordeste de forma secundária.
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Isso significa que quase 40% dessa hinterlândia não é atendida por Santos, mas por portos do Rio de Janeiro, do Espírito Santo, do Paraná e de Santa Catarina, que disputariam cargas entre si.
“Ao tratar Santos como mercado fechado, a análise [sobre concentração] atribui aos terminais santistas cerca de 40 pontos percentuais de participação de mercado que eles não detêm”, diz o consultor.
