O Brasil apresenta a pior trajetória da dívida pública entre as 10 maiores economias emergentes, segundo análise do economista e ex-presidente do Banco dos Brics Marcos Troyjo. Em levantamento baseado em dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), o país é o único do grupo classificado por ele com uma “alta significativa” na relação dívida/PIB.
Segundo Troyjo, enquanto o Brasil registra deterioração do indicador, outras grandes economias emergentes apresentam estabilidade, alta gradual ou redução da dívida. Polônia e Índia têm trajetória estável a decrescente, enquanto a Indonésia registra queda.
O economista resume a situação brasileira em 3 fatores:
tamanho da dívida em relação ao PIB;
custo de financiamento da dívida;
peso dos juros sobre as contas públicas.
“O Brasil passou a reunir a combinação mais preocupante de elevado endividamento, alto custo de financiamento e despesa com juros entre as maiores economias emergentes”, declara.
A combinação é relevante porque uma dívida elevada, associada a juros altos, aumenta o custo para o governo financiar e refinanciar seus compromissos. Uma parcela maior do Orçamento também pode ser direcionada ao pagamento de juros, reduzindo o espaço para investimentos e outras despesas. É esse quadro que, segundo o economista, torna a situação brasileira mais preocupante que a de outros emergentes.
DETERIORAÇÃO DESDE 2023
A dívida bruta brasileira voltou a crescer a partir de 2023.
