Em 1993, Roberto Carlos escreveu que “daqui pra frente vai ser diferente”. O compositor, no fundo, deixa claro que, normalmente, no amor pouca coisa muda. Por outro lado, os brasileiros pensam que, na economia, aqui no Brasil é sempre a mesma coisa. Olham para uma crise e pensam: já vivi a crise da dívida externa nos anos 1980, a hiperinflação, passando por Sarney, Collor e Itamar; falam de boca cheia que sobreviveram a Dilma 2, "lembra daquela presidente louca?". E terminam o argumento dizendo: sobrevivi à covid. Por que em 2027 vai ser diferente?
Para responder a essa pergunta, temos que compreender o motivo de cada crise citada, saber quem pagou a conta e como ela foi solucionada, para depois voltarmos à questão: em 2027 vai ser diferente?
A crise da dívida externa ocorreu de 1975 a 1983. Na época, tivemos o choque do petróleo, o aumento dos juros internacionais e a interrupção do financiamento externo. Sem dinheiro estrangeiro para pagar os gastos do governo e cobrir sua conta corrente deficitária, todos os projetos importantes de desenvolvimento ficaram para trás: infraestrutura, saúde e educação. O governo gastava o dinheiro dos brasileiros apenas para manter os gastos públicos e, como os recursos eram insuficientes, tivemos uma grande recessão, a chamada década perdida.
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Depois disso, tivemos uma pequena melhora até 1987, quando o desequilíbrio fiscal trouxe a hiperinflação.
