Fazer uma dieta ou querer emagrecer não caracteriza, por si só, um transtorno alimentar. A distinção entre comportamentos comuns e quadros clínicos que exigem atenção médica foi o tema central da conversa entre Dr. Kalil, o psiquiatra Fábio Salzano, coordenador do Ambulim do Hospital das Clínicas da FMUSP, e a nutricionista Andrea Vargas, do mesmo ambulatório, no CNN Sinais Vitais.
Andrea Vargas explicou que um transtorno alimentar envolve um conjunto de comportamentos, e não apenas um episódio isolado. Segundo ela, comer em excesso eventualmente ou seguir uma dieta restritiva não é suficiente para definir um diagnóstico. “Quando a pessoa deseja fazer uma dieta, quando ela quer emagrecer, ou até mesmo quando ela vai em algum lugar e come uma quantidade exagerada, isso não vai definir um transtorno alimentar”, afirmou.
Quando a comida passa a dominar a vida
O alerta surge quando a preocupação com a alimentação começa a gerar sofrimento intenso e a ocupar um espaço desproporcional na vida da pessoa. Andrea Vargas descreveu um ciclo típico: a pessoa passa a classificar alimentos como bons ou ruins, evita ambientes sociais por causa da comida e se isola progressivamente. “Começa a criar uma pressão muito grande e essa pessoa começa a se isolar da vida, e a comida começa a tomar parte da vida”, disse.
