Se por um lado a relação entre Brasil e Estados Unidos azedou nos últimos meses com a aplicação das tarifas norte-americanas e a recente abertura de um processo de reciprocidade pelo governo brasileiro, a relação do Brasil com a China no campo econômico vem se estreitando.
Os países já tem uma relação de longa data como membros fundadores dos Brics e há anos participam de fóruns sobre como aproximar o Sul Global e reduzir a dependência da financeirização norte-americana e europeia. Coincidentemente ou não com o recrudescimento das relações com Washington, Brasil e China enfim ensaiam uma aproximação cada vez mais palpável de seus sistemas financeiros para driblar o dólar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já manifestou em diversas oportunidades o desejo de se desvencilhar do dólar, inclusive retomando a ideia de criar uma moeda unificada dos Brics no mês passado. Pequim também não esconde suas intenções de não depender de transações na moeda norte-americana e já costura há anos acordos com países da Ásia em yuans. O comércio com a Rússia já é feito há anos quase todo em moeda chinesa.
Agora o Brasil também se torna uma opção dos chineses para internacionalizar sua moeda. O 1º passo concreto nessa direção foi o anúncio de que o Ministério da Fazenda planeja sua 1ª emissão brasileira de panda bonds -títulos da dívida em yuans- ainda neste ano. A ideia é captar 5 bilhões de yuans (R$ 3,8 bilhões) no mercado chinês.
