A população negra continua entre os grupos mais afetados pelas desigualdades sociais no Brasil, mesmo diante da melhora de alguns indicadores em 2025. É o que aponta o levantamento do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado na última quarta-feira (12).
A pesquisa busca mapear a realidade vivida pelos brasileiros em áreas como saúde, mercado de trabalho, alimentação e bem-estar.
No mercado de trabalho, as mulheres negras são as mais afetadas. Elas registraram taxa de desemprego de 8,5% em 2025, a maior entre os grupos analisados. Entre os homens negros, o índice foi de 5,3%. Já entre as mulheres não negras, a taxa ficou em 4,9%, enquanto os homens não negros apresentaram o menor índice, de 3,8%.
A desigualdade também aparece na renda. A pesquisa mostra que, mesmo com o aumento da renda média dos trabalhadores no país, os ganhos não são distribuídos de forma igual entre os grupos.
Em 2025, as mulheres negras receberam, em média, R$ 2.184 mensais, enquanto as mulheres não negras obtiveram R$ 3.628 e os homens não negros R$5.172.
Ou seja, o rendimento médio das mulheres negras foi o menor, com um aumento de apenas 3,7%. Entre os homens negros, cresceu em 4,1%; entre as mulheres não negras, de 4,8%; e entre os homens não negros, de 6,9%.
Na segurança alimentar, a população negra e indígena aparecem em situação mais vulnerável. Em 2025, das crianças de até 5 anos, 7,3% indígenas estavam desnutridas; 4,0% das crianças negras e 3,3% das crianças não negras.
