Por Lucas Rodrigues Azambuja*
Na última quinta-feira, 13, a Casa Branca publicou o relatório "O Grande Transbordo da Fraude" e colocou o Brasil no nível 2 da rede paralela de negócios, ao lado de Vietnã, Indonésia, Malásia, Tailândia e Turquia. A acusação formal trata do desvio de tarifas chinesas, mas o documento serve também como um sinal do preço que a rivalidade entre Estados Unidos e China vem cobrando das empresas e das cadeias produtivas brasileiras.
O relatório classifica o Brasil como plataforma regional de produção e logística integrada a cadeias ligadas à China. Estimativas da Câmara Americana de Comércio para o Brasil e da Confederação Nacional da Indústria apontam que as tarifas norte-americanas já atingem entre US$ 7 bilhões e US$ 12,5 bilhões em exportações brasileiras, e a participação dos Estados Unidos nas vendas externas do país caiu ao menor patamar da série histórica.
Nada disso é episódio isolado ou conjuntural. É a Nova Guerra Fria, na sua dinâmica geoeconômica, em funcionamento, com comércio, infraestrutura, energia e minerais críticos operando como instrumentos de coerção e projeção de poder. O Brasil aprofundou comércio e investimento com a China num formato conhecido: exporta commodities de baixo valor agregado, importa manufaturados e bens de capital. Em junho deste ano, a Moody's Ratings chamou esse arranjo de "duplo risco", pela pressão competitiva sobre a indústria local e pela vulnerabilidade a choques de demanda chinesa.
