Lula pode perder a eleição? Há alguns meses, a pergunta, no meio dos especialistas, teria como resposta um não. Agora, é hipótese realista.
A última Quaest mostra Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 40% no segundo turno. Tecnicamente, um empate. Em julho, a diferença era de oito pontos.
Lula continua favorito. Ocupa a Presidência, mantém base sólida, comunica como poucos e enfrenta um adversário cuja rejeição também é alta. Mas favoritismo não é vitória antecipada. E a campanha começa com pelo menos sete riscos para o presidente.
O primeiro é a eleição se transformar em plebiscito sobre o governo. Lula precisa que a disputa seja uma escolha entre projetos, e uma comparação entre ele e a família Bolsonaro.
Se a pergunta dominante for apenas “Lula merece mais quatro anos?”, o cenário se complica. A desaprovação está em 48%, e 53% dos eleitores dizem que o país caminha na direção errada.
Rejeição e desconhecimento
O segundo é a rejeição. Lula tem 52%; Flávio, 54%. A diferença é pequena, mas há uma assimetria. Lula é inteiramente conhecido.
Depois de quatro décadas no centro da vida nacional, há pouco a descobrir sobre ele. Flávio pode reduzir a própria rejeição se conseguir se afastar dos excessos do pai sem perder o eleitorado bolsonarista.
Percepção da economia
O terceiro é a economia percebida. Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) importam, mas não decidem sozinhos uma eleição.
