Uma pesquisa desenvolvida na FCF (Faculdade de Ciências Farmacêuticas) da USP investigou os danos causados pela nicotina ao sistema imunológico, com experimentos em animais e em células humanas. O trabalho identificou que tanto a exposição ao cigarro convencional quanto ao tabaco aquecido é capaz de reprogramar a função de células envolvidas no sistema imune. Os pesquisadores constataram que a nicotina presente em ambos os produtos agravou os sintomas clínicos e a neurodegeneração nos modelos experimentais, levantando preocupações com os chamados “produtos sem fumaça”.
Em cigarros convencionais, a liberação da nicotina, composto que causa dependência, acontece por um processo de combustão, causando uma fumaça tóxica que compromete a saúde. Já os cigarros eletrônicos (“vapes” ou “pods”) produzem um vapor com líquidos aromatizados que podem conter ou não nicotina. O uso intensivo desses dispositivos já está associado à lesão pulmonar grave.
Há ainda os produtos de tabaco aquecido (heated tobacco products ou HTPs, na sigla em inglês), que utilizam um tubo similar ao cigarro tradicional, com tecnologia que permite aquecer o tabaco em temperaturas inferiores à necessária para combustão. Com menos produtos em suas emissões, muitas vezes esses dispositivos são comercializados como uma suposta ferramenta de redução de danos apesar de não haver muitos dados científicos sobre as consequências à saúde.
