Toda grande onda de tecnologia traz consigo um período de exagero. Novos conceitos surgem, o mercado acelera, fornecedores reposicionam suas ofertas e empresas começam a sentir que precisam aderir rapidamente para não ficar para trás. Com os agentes de inteligência artificial, estamos vivendo exatamente esse momento.
O termo da vez para descrever parte desse movimento é agent washing: chamar de agente de IA aquilo que, na prática, continua sendo uma automação tradicional, um assistente ou uma funcionalidade que poderia ser resolvida com tecnologias mais simples.
O que me chama atenção é que essa discussão já deixou de ser apenas semântica. Ela começa a afetar decisões de investimento, arquitetura e, principalmente, retorno.
O Deloitte Tech Trends 2026 ajuda a dimensionar essa distância entre entusiasmo e realidade. Hoje, 30% das organizações pesquisadas estão explorando soluções agênticas e 38% estão conduzindo pilotos. Mas apenas 14% têm soluções prontas para implantação e somente 11% efetivamente colocaram agentes em produção. Além disso, 42% ainda estão desenvolvendo seu roadmap de IA agêntica e 35% não possuem uma estratégia formal para o tema.
Para mim, esses números dizem muito mais do que simplesmente que agentes ainda são uma tecnologia emergente. Eles mostram que existe uma diferença importante entre querer utilizar agentes e saber exatamente onde eles fazem sentido.
E é aí que começa o risco do agent washing.
