“O villain, villain, smiling, damned villain!My tables - meet it is I set it downThat one may smile and smile and be a villain.At least I am sure it may be so in Denmark”(Shakespeare, Hamlet, Ato I, Cena 5)
Há alguns dias, aqui neste espaço, chamei atenção para o contexto de Guerra Fria 2.0 em que transcorre a eleição brasileira de 2026. Nessa guerra, o Brasil se meteu no lado errado da trincheira, por obra de um regime que estreita laços com Pequim e Moscou na mesma medida em que praticamente rompe relações diplomáticas com Washington momento.
Mas não são apenas as relações internacionais que trazem ecos da Guerra Fria. Aqui dentro, um padrão de ação política dos tempos da URSS parece ressurgir das brumas da história. Os velhos manuais de inteligência soviética, da Cheka ao GPU, da NKVD à KGB, já ensinavam que opositores fabricados e controlados são mais eficazes do que os melhores aliados. Foi o que fez a GPU entre 1921 e 1926 com a chamada Operação Trust: em vez de caçar um a um os russos brancos exilados em Paris, Berlim ou Varsóvia, criou do zero uma organização clandestina fictícia dentro da própria Rússia soviética, a União Monárquica da Rússia Central, conhecida simplesmente como “o Trust”, e a vendeu à diáspora como uma vasta resistência interna, pronta para derrubar os bolcheviques a partir de dentro.
Por anos, emigrados influentes e serviços secretos estrangeiros acreditaram estar financiando e armando essa resistência.
