Moradores de Bacabal vêm denunciando há anos problemas relacionados à qualidade da água distribuída pelo sistema público de abastecimento e à precariedade do saneamento básico no município. Imagens recentes, como a fotografia que acompanha esta matéria, mostram cerca de 20 centímetros de lama e sedimentos acumulados no fundo de uma caixa d’água, situação que reforça a necessidade de uma investigação urgente sobre a qualidade da água que chega às residências.
É importante destacar que a fotografia, isoladamente, não permite afirmar que a água esteja contaminada por agentes químicos ou microbiológicos. Entretanto, a quantidade de sedimentos observada justifica plenamente a realização de coleta de amostras e análises laboratoriais imediatas, especialmente para verificar se a água distribuída à população atende aos padrões de potabilidade.

A preocupação com a qualidade da água em Bacabal não é recente. Existem registros públicos de reclamações e denúncias que remontam a pelo menos 2006, quando o Ministério Público realizou levantamento sobre a qualidade da água consumida no município, com coleta e análise de amostras e monitoramento do Rio Mearim.
Em 2016, registros da Assembleia Legislativa do Maranhão também apontavam reclamações sobre água barrenta em diferentes regiões de Bacabal, inclusive com menções à área central da cidade.
No ano seguinte, em 2017, outro registro parlamentar voltou a mencionar problemas relacionados ao abastecimento e à qualidade da água fornecida à população de Bacabal, incluindo referências ao Centro do município.
Em 2018, uma denúncia apresentada ao Ministério Público questionou a qualidade da água fornecida pelo SAAE. A reclamação foi acompanhada de fotografias e vídeos que mostravam água com aspecto amarelado chegando às residências.
Mais recentemente, em 2024, o Ministério Público do Maranhão registrou reclamação relacionada à má qualidade da água fornecida pelo SAAE em uma residência localizada na Rua Manoel Alves de Abreu, no Centro de Bacabal. O procedimento determinou que o serviço de abastecimento prestasse esclarecimentos sobre as condições e a qualidade da água fornecida naquele endereço.
Foto: mpma.mp.br
Em audiência pública realizada em janeiro de 2024, também foram apresentadas ao Ministério Público demandas relacionadas à qualidade da água, à prestação dos serviços pelo SAAE e à ausência de saneamento básico no município.
Esses registros demonstram que a questão não surgiu agora e que existem reclamações documentadas ao longo de aproximadamente duas décadas. A recorrência dos relatos torna ainda mais necessária uma investigação técnica independente e transparente.



1/4Registros públicos de denúncias e reclamações
Para que a população possa consultar diretamente parte da documentação e dos registros públicos relacionados ao problema, o Oiaki.Online reúne abaixo algumas das principais referências encontradas:
- 2006: Ministério Público prioriza investigação sobre a qualidade da água em Bacabal, com coleta de amostras e monitoramento do Rio Mearim.
Ver reportagem do Imirante sobre a investigação de 2006
- 2016: Diário da Assembleia Legislativa registra manifestação sobre a qualidade da água em Bacabal, incluindo referência à presença de água barrenta e problemas que atingiriam diferentes áreas do município.
Consultar Diário da Assembleia Legislativa de 23 de março de 2016
- 2017: novo registro da Assembleia Legislativa menciona problemas no abastecimento de água em Bacabal, incluindo referências a bairros e ao Centro da cidade.
Consultar Diário da Assembleia Legislativa de 6 de junho de 2017
- 2018: denúncia apresentada ao Ministério Público questiona a qualidade da água fornecida pelo SAAE e apresenta registros de água com aspecto amarelado.
Ver reportagem sobre a denúncia apresentada ao Ministério Público em 2018
- 2024: procedimento do Ministério Público do Maranhão registra reclamação sobre a má qualidade da água fornecida pelo SAAE em endereço localizado no Centro de Bacabal.
Consultar Diário do Ministério Público do Maranhão de 4 de setembro de 2024
- Pesquisa acadêmica da UEMA registra fotografia identificada como água de coloração inadequada chegando às torneiras pelo sistema SAAE e reúne relatos sobre problemas de qualidade da água em Bacabal.
Consultar pesquisa da UEMA sobre a situação de Bacabal
O que precisa ser feito?
Diante desse histórico, é urgente que os órgãos responsáveis adotem providências concretas.
O Governo do Estado do Maranhão, por meio dos órgãos de saúde e vigilância sanitária, deve acompanhar a situação e, quando necessário, determinar a realização de análises independentes da água distribuída pelo sistema público.
É fundamental que sejam coletadas amostras em diferentes pontos da rede de abastecimento, inclusive na região central de Bacabal, onde existem registros documentados de reclamações. Os resultados precisam ser divulgados de forma transparente à população.
Também é necessário fiscalizar as condições de captação, tratamento, armazenamento e distribuição da água pelo SAAE, além de verificar a manutenção da rede e a origem do material que vem se acumulando nos reservatórios particulares.
A população não pode ser obrigada a conviver indefinidamente com dúvidas sobre a qualidade da água utilizada para beber, cozinhar e realizar atividades básicas do cotidiano.
Mais do que apontar culpados, o momento exige respostas.
Bacabal precisa saber, por meio de dados técnicos e análises laboratoriais, qual é a qualidade da água que está chegando às torneiras da população.
O Governo do Estado, os órgãos de fiscalização, o Ministério Público, a Vigilância Sanitária e a administração municipal precisam agir de maneira coordenada para garantir que o direito básico à água potável seja efetivamente respeitado.
A situação retratada na imagem que acompanha esta matéria é um alerta. Uma caixa d’água com aproximadamente 20 centímetros de sedimentos não deve ser tratada como algo normal. É necessário investigar a origem desse material, analisar a água e informar a população sobre os resultados.
A água é um direito essencial e uma questão de saúde pública. Bacabal precisa de respostas, transparência e, sobretudo, providências urgentes.
Registra-se aqui o seguinte POSICIONAMENTO:
É importante esclarecer que esta matéria não possui qualquer ligação, orientação ou objetivo político-partidário. A publicação tem caráter exclusivamente jornalístico e de interesse público.
O objetivo aqui é dar visibilidade a uma situação que afeta diretamente a população de Bacabal e chamar a atenção das autoridades competentes para a necessidade de investigação, fiscalização, transparência e adoção de medidas que garantam água de qualidade e saneamento adequado à população, independentemente de partidos, grupos políticos ou interesses eleitorais.
O Oiaki.Online entende que cobrar respostas sobre água potável, saneamento e saúde pública é uma obrigação jornalística e um direito da população.
Fontes: Ministério Público do Maranhão, Assembleia Legislativa do Maranhão, Ministério da Saúde, UEMA, SNIS, imprensa regional e documentos públicos citados acima.
