Por André Burger*
Embarco em um voo de Manaus para São Paulo. São algumas horas de viagem e boa parte delas sobre a Floresta Amazônica, uma imensidão que nos mostra quão distantes estamos de qualquer possibilidade imediata de ajuda caso alguma coisa dê errado.
Enquanto aguardava o embarque, a tripulação passou por mim. Era um grupo bastante diverso, composto por pessoas de origens e perfis distintos. Pareceu-me que aquela companhia aérea levava a sério as políticas de inclusão. Fiquei bem impressionado, afinal, se mais pessoas, independentemente de sexo, cor, religião, origem social ou qualquer outra característica, estão podendo exercer uma profissão para a qual estão qualificadas, há motivo para satisfação.
O voo transcorre normalmente até que, ainda sobre a Amazônia, surge uma emergência. Uma sequência de decisões equivocadas agrava o problema e o avião acaba realizando um pouso de emergência em plena floresta. Há mortos e feridos. O comandante demonstra dificuldade em lidar com a situação, outros membros da tripulação mostram deficiências de treinamento e, somente depois de muito sofrimento, os sobreviventes são localizados e resgatados.
Nada disso aconteceu. Felizmente.
Mas imaginemos que, depois do acidente, a investigação revelasse algo perturbador. A companhia aérea adotara uma política de quotas destinada a aumentar a participação de determinados grupos em seus quadros.
