A dois meses das eleições de 2026, o mercado financeiro começou a incorporar um prêmio eleitoral no real, em meio à possibilidade de continuidade de um governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento ocorre após investidores terem mantido posições compradas na moeda brasileira durante boa parte do ano e ganhou força depois da piora da recomendação do JP Morgan para o Brasil e da exclusão dos papéis da Stone do índice MSCI Brazil.
Relatórios recentes de bancos brasileiros e estrangeiros mostram que o mercado entra na campanha eleitoral ainda com posições elevadas em real, mas já inicia a desmontagem dessas apostas. A avaliação presente nessas análises é que a consolidação de uma vantagem de Lula nas pesquisas amplia a volatilidade dos ativos locais, em um ambiente de preocupação também com a trajetória fiscal de 2027.
Segundo essas leituras, o movimento começou a aparecer primeiro no mercado de títulos públicos. O Tesouro Nacional passou a enfrentar maior dificuldade para negociar papéis ligados à inflação, como NTN-B, e prefixados, como NTN-F. Nesse tipo de dinâmica, a pressão costuma migrar depois para o câmbio.
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Na prática, investidores passaram a buscar mais títulos indexados à Selic, como as LFTs, reduzindo a exposição a ativos mais longos.
