Toda vez que uma empresa me procura para falar sobre automação de processos, a primeira pergunta costuma ser a mesma: “qual ferramenta vocês recomendam?”. É uma pergunta legítima, mas quase sempre feita cedo demais. Embora pareça natural, essa talvez seja a pergunta errada. Antes de escolher a ferramenta, é preciso responder a uma pergunta bem menos glamorosa: o processo que queremos automatizar está, de fato, bem desenhado?
Na maioria das vezes, a resposta é não. E é exatamente aí que nasce a maior causa de fracasso em projetos de automação, não na tecnologia escolhida, mas na decisão de automatizar um processo que ninguém parou para arrumar antes.
A verdadeira questão deveria ser outra: o processo que queremos automatizar faz sentido da forma como está desenhado?
Essa diferença de perspectiva explica por que muitos projetos de transformação digital entregam resultados abaixo do esperado. Segundo pesquisas da consultoria McKinsey & Company, iniciativas de transformação digital frequentemente enfrentam dificuldades para gerar o impacto esperado não por falta de tecnologia, mas por desafios relacionados à gestão da mudança, redesenho de processos e alinhamento organizacional. A tecnologia acelera o que já existe, inclusive ineficiências.
Antes, a automação empresarial era associada à substituição de tarefas repetitivas. O objetivo era reduzir tempo, minimizar erros operacionais e aumentar a produtividade.
