Stefan Zweig foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores escritores que a modernidade produziu. Dono de uma escrita que se afundava nos vãos da psicologia de seus personagens, sem deixar à vista que estava fazendo isso, ele tinha um dom realmente raro na literatura: dizendo pouco, falava muito.
Há quem discorde de mim, em especial o poeta incrivelmente chato Michael Hofmann, o qual, em uma das críticas mais cortantes já feitas a Zweig, acusou-o de ser um escritor sentimental e raso; Hannah Arendt, por sua vez, criticou no escritor o que chamou de “passividade ante o antissemitismo”. E ela tinha razões sinceras para isso, se olharmos para o Zweig conscientemente indisposto para os debates políticos de seu tempo.
Na verdade, o austríaco sofria de um idealismo que até mesmo eu, confesso, odeio. Ele era um cosmopolita incurável, um pacifista em delírio. Stefan chegou, não poucas vezes, parecer abdicar de sua herança judaica a fim de abraçar a identidade europeia, como se fosse somente essa última a genealogia que lhe interessava ostentar. Além disso, recusou-se inúmeras vezes a assinar declarações públicas contra o nacionalismo alemão e contra a perseguição aos judeus na Alemanha e na Áustria.
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Mas esse é apenas um pedaço da história, pois o que isso de fato revela é que o escritor não via na política partidária, ou sequer na política mesma, a saída para uma mudança interior completa e eficaz.
