Dois estudos realizados por pesquisadores brasileiros apontam um caminho promissor para o tratamento de lesões graves do sistema nervoso. Em experimentos com animais, combinações de medicamentos favoreceram a reparação do tecido afetado e protegeram as células nervosas, conseguindo controlar a inflamação e melhorar a recuperação funcional. Os resultados abrem perspectivas para o desenvolvimento de novos tratamentos para seres humanos.
Desenvolvidos no IB-Unicamp (Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas), com apoio da Fapesp, os trabalhos reforçam evidências recentes de que, para recuperar lesões nervosas graves, não basta reconectar os nervos, mas também é necessário controlar a inflamação, proteger os neurônios e preservar as conexões durante o processo de regeneração.
Os nervos funcionam como fios elétricos que conduzem sinais entre o cérebro, a medula espinhal e o restante do corpo. A conexão dos nervos espinhais com a medula se dá por meio de uma espécie de “mão dupla”: as raízes dorsais (posteriores) conduzem informações sensoriais (como dor, tato e temperatura) para a medula, enquanto as ventrais (anteriores) levam os comandos motores dela para os músculos.
Lesões nas raízes próximas à medula espinhal, dependendo da gravidade, podem comprometer a comunicação entre o sistema nervoso e os músculos, causando perda de movimentos e de sensibilidade.
