Por Erik P. Bucy e Milad Jalalian Ebrahimi
Em dezembro de 2024, uma disputa trabalhista eclodiu na sede do Guardian em Londres, no Reino Unido, com quase 500 jornalistas entrando em greve em protesto contra a proposta de venda do Observer, jornal pertencente ao Guardian.
Com a redação paralisada, a direção da publicação britânica teria utilizado ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Claude, para sugerir manchetes e escrever descrições de fotos para pessoas que usam leitores de tela. O Sindicato Nacional dos Jornalistas protestou veementemente, classificando a medida como uma clara tentativa de minar a negociação coletiva.
Como estudiosos de mídia e comunicação, vimos a indignação com o suposto uso de IA pela direção -cujos detalhes foram contestados pela própria direção- como algo além de uma mera disputa sobre o cumprimento da legislação trabalhista. O incidente mostrou como a IA está sendo integrada ao trabalho jornalístico diário por meio de tradução, transcrição de entrevistas, pesquisa, redação e análise de audiência. Ao mesmo tempo, a incorporação da IA nas redações suscitou novas preocupações quanto à precisão e ao viés.
Em nossa pesquisa recente, examinamos como 3 diferentes veículos de comunicação -Reuters, BBC e Guardian- estavam implementando IA em seus fluxos de trabalho.
