Uma das perguntas que mais escuto no consultório é se a cirurgia plástica melhora a autoestima. Minha resposta costuma ser: ela pode ajudar, e muito, mas não resolve tudo.
Existe uma diferença importante entre modificar uma característica física que provoca incômodo real e esperar que uma cirurgia transforme a maneira como alguém se enxerga por completo.
Quando a cirurgia plástica pode ajudar na autoestima?
Depois de mais de duas décadas trabalhando com cirurgia plástica, aprendi que entender essa diferença é tão importante quanto escolher a técnica adequada para cada paciente.
A autoestima não depende apenas da aparência. Ela é construída pela forma como a pessoa percebe o próprio valor, pelas experiências que acumulou, pelos relacionamentos, pela saúde emocional e, também, pela relação que mantém com o corpo. Por isso, uma mudança física pode melhorar essa relação, mas dificilmente consegue, sozinha, reorganizar todas essas outras dimensões.
Na minha experiência, a cirurgia tende a contribuir de maneira mais positiva quando existe uma queixa física específica, persistente e proporcional. É diferente dizer “não gosto do excesso de pele no abdômen depois de emagrecer” e dizer “preciso mudar meu corpo para finalmente ser feliz”.
No primeiro caso, há uma questão concreta que pode ser avaliada tecnicamente. No segundo, existe uma expectativa muito maior depositada no procedimento.
