A Netflix finalmente começou a entender que o cinema tem uma história, e parece estar largando o imediatismo de só disponibilizar filmes muito novos. E está oferecendo aos seus assinantes um dos maiores de todos os tempos: Lawrence da Arábia, de 1962.
Lawrence é um filme enorme em todos os sentidos, inclusive na duração: 3 horas e 47 minutos. O diretor David Lean produziu um filme de grandes cenas, com ritmo próprio, sem pressa nem cortes rápidos. As tomadas são panorâmicas, registrando a imensidão dos desertos e a grandiosidade das batalhas. O filme é centrado em Thomas Edward ("T.E") Lawrence, um oficial britânico encarregado de unir as tribos árabes contra o Império Turco durante a Primeira Guerra Mundial.
Lawrence era um personagem extremamente complexo. Ao mesmo tempo que arriscava a vida no campo de batalha em situações extremas, era um intelectual refinado. É dele uma das mais importantes traduções da Odisseia, de Homero. O filme também revela com sutileza aspectos psicológicos do personagem, como uma possível homossexualidade (não explícita) e uma tendência ao masoquismo.
Lawrence da Arábia tem como centro de gravidade a presença de Peter O'Toole, que se entrega ao papel título de forma absoluta. O que não lhe garantiu o Oscar de melhor ator (o filme concorreu a dez e ganhou sete estatuetas). Outras marcantes presenças no elenco (praticamente todo masculino) são Omar Sharif, Alec Guiness e Anthony Quinn.
