O governo brasileiro formalizou, nesta quinta-feira (13), o início do processo de reciprocidade contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. A analista de Política da CNN Clarissa Oliveira comenta o tema ao Bastidores CNN.
Segundo análise de fontes diplomáticas e assessores diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a medida não deve ser interpretada como uma retaliação, mas como uma demonstração de força e soberania do país nas negociações internacionais.
O contexto que motivou a decisão remonta ao mês passado, quando os Estados Unidos aplicaram tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros, afetando principalmente os setores de papel e celulose.
Em seguida, foi imposta uma sobretaxa adicional de 12,5%, sob alegação americana de falhas na fiscalização de importações relacionadas ao trabalho escravo.
Demonstração de força, não de retaliação
Clarissa detalhou as conversas nos bastidores do Palácio do Planalto. Segundo ela, assessores diretos do presidente Lula são enfáticos ao afirmar que “ninguém aqui está falando em retaliação”, e que a ideia é que o tom do processo não seja belicoso.
A estratégia, conforme relatou Clarissa, é acionar formalmente os mecanismos de reciprocidade como demonstração de força, sem de fato entrar em uma disputa financeira direta com os Estados Unidos, até porque, segundo as mesmas fontes, o Brasil reconhece que “não tem músculo bastante nesse braço para entrar numa queda de braço com o governo americano”.
