Existe uma contradição no mercado brasileiro de games que já deveria ter deixado de existir: o dispositivo que provavelmente está no bolso da maior parte dos jogadores brasileiros ainda é tratado por uma parcela da indústria como uma espécie de “segunda divisão” dos games.
Estou falando do celular.
Durante anos, quando falávamos em videogame, a imagem mental era quase automática: PlayStation, Xbox, Nintendo ou um PC gamer cheio de LEDs. O mobile aparecia como uma categoria complementar, associada a jogos casuais e partidas rápidas.
Só que o mercado mudou e talvez a nossa percepção ainda não.
O Brasil já possui mais de 100 milhões de jogadores, e o mobile representa uma das principais portas de entrada para esse público. O país também acompanha uma tendência global: o smartphone deixou de ser apenas um dispositivo de comunicação e passou a concentrar entretenimento, pagamentos, redes sociais, vídeo e, cada vez mais, games.
A pergunta, portanto, não deveria ser “por que mobile cresceu tanto?”.
A pergunta deveria ser:
por que ainda tratamos mobile como um mercado menor?
O console que já está no bolso
Existe uma vantagem competitiva do mobile que nenhum outro formato consegue ignorar: distribuição.
Para jogar no console, você precisa comprar um console.
Para jogar no PC, precisa de um computador capaz de rodar determinados títulos.
Para jogar no celular, na maioria das vezes, você já possui o dispositivo.
Isso muda completamente a equação de aquisição de usuários.
