*Por Gabrielle Hayashi
Durante décadas, o primeiro emprego funcionou como o verdadeiro laboratório prático do mercado de trabalho. Era nas funções de entrada que os jovens profissionais aprendiam processos, desenvolviam habilidades básicas e acumulavam a bagagem necessária para avançar na carreira. Hoje, a ascensão da inteligência artificial (IA) redesenha radicalmente essa dinâmica. Ao automatizar as tarefas operacionais que antes serviam como porta de entrada surge o questionamento se o mercado caminha para a escassez de oportunidades ou para o início de uma nova forma de construir trajetórias profissionais.
Pela perspectiva da educação e do desenvolvimento de carreiras, essa transformação digital não deve ser encarada como uma ameaça, mas como uma elevação no patamar do que se considera essencial na formação profissional. É inegável que a tecnologia trouxe ganhos de eficiência ao assumir tarefas operacionais, organização de informação e suporte administrativo. Entretanto, o impacto desta tecnologia já é visível no mercado de trabalho. Dados do Federal Reserve Bank de Nova York apontam dificuldades na inserção de recém-formados, evidenciando taxas relevantes de desemprego e subemprego na faixa dos 22 aos 27 anos.
O valor real do início de uma trajetória profissional nunca esteve restrito à execução mecânica de planilhas ou à repetição de fluxos burocráticos.
