Uma nova pesquisa científica publicada na revista Nature Climate Change revela que o colapso da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), um dos principais reguladores do clima global, é determinado pela velocidade do aquecimento global, e não apenas por um limite absoluto de temperatura.
Conduzido por pesquisadores da Universidade de Utrecht, na Holanda, o estudo aponta que o sistema de correntes pode entrar em colapso em patamares de aquecimento muito mais baixos do que o estimado anteriormente, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem aumentando de forma rápida.
Diferença entre aquecimento rápido e lento
Tradicionalmente, a comunidade científica estimava que o limiar médio para o colapso da circulação do Atlântico estivesse em torno de +4,0 °C de aquecimento global. No entanto, os cientistas demonstraram que esse limite estático não é o fator principal.
Por meio de simulações de modelos climáticos complexos, os autores testaram diferentes ritmos de acúmulo de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera. Os resultados revelaram que:
Sob um aumento rápido de CO₂, a circulação entra em colapso quando a temperatura média global sobe cerca de +2,0 °C. Para fins de comparação, a taxa atual de aumento de CO₂ registrada na atmosfera é de cerca de +2,6 ppm por ano.
Sob um aumento lento e gradual de CO₂, a circulação permanece estável mesmo sob um aquecimento global extremo de +5,5 °C.
