Em 2018, no auge da projeção nacional após integrar o elenco de “O Outro Lado do Paraíso”, da TV Globo, o ator que o público conhecia como Igor Angelkorte começou a sentir que a figura construída para a televisão já não cabia mais em si.
O reconhecimento contínuo nas ruas, as abordagens constantes e a obrigação de corresponder a uma ideia pré-fabricada de sucesso resultaram em um verdadeiro sufocamento.
“Essa identidade de ser um ator da Globo começou a me cansar. Como artista, acho importante a gente observar o mundo. Mas quando o mundo te observa continuamente, você precisa estar muito firme. Eu fiquei assustado. Ninguém te prepara para o que significa se tornar uma pessoa conhecida”, conta em entrevista à CNN Brasil.
A necessidade de ruptura o levou para a estrada. Durante mais de um ano, ele viajou pelo país conhecendo “outros Brasis” e artistas invisíveis até subir rumo à Amazônia.
O sonho inicial de percorrer o mundo a bordo de um motorhome foi se transformando no desejo oposto: fincar raízes e acalmar o passo. Foi na Chapada dos Veadeiros, mais precisamente no município de Cavalcante (GO), que ele encontrou seu pouso.
Com o orçamento reduzido após o período de pausa, encontrou na reciclagem uma saída poética e prática. Comprou uma carcaça abandonada de ônibus em um ferro-velho e a transformou em sua casa.
