É comum associarmos a perda da autonomia ao envelhecimento avançado, quando uma pessoa já depende da ajuda de terceiros para realizar atividades do dia a dia. No entanto, a dificuldade para subir escadas, caminhar distâncias que antes pareciam simples, levantar-se de uma cadeira ou abandonar atividades físicas por causa da dor são sinais que não são observados ou atribuídos apenas à idade, quando podem indicar alterações do aparelho locomotor que merecem investigação.
No consultório, vejo com frequência pacientes que procuram atendimento por causa de uma dor localizada, mas cujo problema vai além daquela articulação. O joelho dolorido, a lombalgia persistente ou a limitação para caminhar costumam ser manifestações de alterações relacionadas ao funcionamento do corpo como um todo e que, se não forem identificadas precocemente, podem comprometer a mobilidade e, mais adiante, a independência.
É justamente por isso que preservar a capacidade de movimento tem sido um dos principais objetivos da Ortopedia. Quando uma pessoa não consegue se movimentar por causa da dor ou da limitação física, perde massa muscular, equilíbrio, capacidade cardiovascular e confiança para realizar tarefas simples. Esse tipo de situação favorece o sedentarismo e aumenta o risco de doenças como diabetes, hipertensão, osteoporose, sarcopenia e problemas cardiovasculares. Cuidar da mobilidade, portanto, significa cuidar da saúde como um todo.
