O intercâmbio de mamíferos entre as Américas começou milhões de anos antes da formação de uma conexão terrestre permanente entre os continentes, aponta uma pesquisa publicada na revista Science. Segundo o estudo, animais já conseguiam avançar de uma região para outra por rotas marítimas antes de o istmo do Panamá permitir a passagem por terra.
A pesquisa, conduzida por uma equipe liderada pelo professor Jack Tseng, da Universidade da Califórnia em Berkeley, indica que o movimento ganhou força a partir de aproximadamente 10 milhões de anos atrás. A maior parte das migrações ocorreu do norte para o sul, enquanto as evidências de deslocamento no sentido contrário são bem mais raras.
O cenário muda por completo há cerca de 2,8 milhões de anos, quando a ligação terrestre entre as Américas teria se estabelecido. A partir desse momento, a circulação de mamíferos nos dois sentidos se tornou muito mais ampla, dando origem ao episódio conhecido como Grande Intercâmbio Biótico Americano.
Uma história de migrações anterior ao caminho por terra
Durante dezenas de milhões de anos, a América do Sul permaneceu isolada de outras grandes massas continentais e desenvolveu uma fauna própria. A América do Norte, por sua vez, teve períodos de contato com a Ásia por meio da região de Bering, permitindo que espécies adaptadas a ambientes frios chegassem ao continente.
Essa diferença ajuda a explicar por que a união das duas Américas teve consequências tão profundas.
