Menos de dois meses após dois terremotos devastadores que deixaram mais de 6 mil mortos, os venezuelanos estão sendo convocados pelo governo a economizar energia elétrica e água.
Com uma seca se aproximando, muitos interpretam isso como um presságio de cortes de energia mais generalizados e menor abastecimento de água potável, após meses de restrições já severas.
A líder interina Delcy Rodríguez afirmou na semana passada que o El Niño já estava afetando o país membro da Opep e poderia trazer uma seca antes do fim do ano. O fenômeno periódico, que aquece a superfície do Oceano Pacífico e altera os padrões climáticos globais, tornou necessária a conservação de energia e água, disse ela.
O apelo para ampliar a economia de recursos em uma rede elétrica já sobrecarregada desencadeou novos protestos em regiões onde a população e as empresas enfrentam cortes de energia de até 10 horas por dia, falhas frequentes nos equipamentos que levam a quedas de energia que duram dias e abastecimento intermitente de água.
“Não consigo entender como podemos adotar mais medidas de economia de energia se nem sequer temos energia”, disse Mariela Núñez, professora aposentada de 75 anos da cidade de Valência, na região central do país, onde os cortes diários de energia estão se prolongando.
“Eles cortam a energia sem aviso prévio”, acrescentou ela.
“O calor não nos deixa dormir e não temos elevador para subir e descer até um apartamento no 12º andar”, relatou.
