O balanço do Banco do Brasil trouxe um número que deveria acender um sinal de alerta muito além do sistema financeiro. Até R$ 100 bilhões em operações do agronegócio poderão ser enquadrados nas novas linhas de renegociação da Medida Provisória 1.376.
Isso não significa que existam R$ 100 bilhões em atraso. Desse total, R$ 36,7 bilhões correspondem a créditos inadimplentes. Outros R$ 63,5 bilhões ainda estão em dia, mas já foram prorrogados ou renegociados. São operações regulares que carregam sinais evidentes de dificuldade financeira.
O universo potencial alcança aproximadamente 113 mil clientes. Não estamos diante de um problema isolado ou restrito a alguns produtores mal administrados. É uma crise de renda que atinge uma parcela relevante do campo brasileiro.
O balanço revela o tamanho do problema
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre. Entretanto, a inadimplência do agronegócio chegou a 6,27%, depois de avançar por vários trimestres.
O banco já renegociou R$ 39,3 bilhões por meio de um programa anterior e espera que a MP 1.376 permita reestruturar pelo menos mais R$ 30 bilhões. O potencial máximo chega aos R$ 100 bilhões anunciados pela instituição.
Esses números mostram que a inadimplência conhecida é apenas a parte visível do problema. Existe um volume ainda maior de produtores que não deixaram de pagar, mas somente mantiveram a pontualidade porque suas dívidas foram prorrogadas.
