O tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil já começa a provocar mudanças nas rotas do comércio internacional. Empresas brasileiras estão vendendo produtos ao México, enquanto os mexicanos direcionam parte dessa produção aos Estados Unidos e recompõem seus estoques com mercadorias brasileiras, segundo o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan.
“Eu já sei, por exemplo, de empresas brasileiras que estão vendendo para o México e os mexicanos vendem o produto produzido lá nos Estados Unidos e compram do Brasil para repor aquilo que estão mandando”, afirmou Furlan, em entrevista em Luanda, Angola.
O movimento mostra como as cadeias globais podem se reorganizar diante de barreiras comerciais. Em vez de simplesmente interromper o comércio, uma tarifa pode alterar a origem, o destino e a rota dos produtos, com empresas buscando alternativas para manter o abastecimento.
Para Furlan, o comércio internacional funciona como um sistema de “vasos comunicantes”: quando um canal é dificultado, os fluxos procuram outros caminhos.
“Não vai se criar muito valor e também não vai se perder, porque há grandes empresas que têm agências de vendas, navios de transporte e, no final, essas coisas vão se ajustando”, disse.
O exemplo ganha relevância em um momento em que as vendas brasileiras aos Estados Unidos já mostram os efeitos das barreiras.
