Stellenbosch, uma cidade com um cenário idílico e vinhedos repletos de uvas que se estendem até as imponentes montanhas do Cabo Ocidental, na África do Sul, é conhecida como a Cidade dos Carvalhos há quase 350 anos.
É um título que está vivendo de empréstimo.
Milhares dos imponentes carvalhos ingleses e outras árvores urbanas que outrora ladeavam as ruas e casas da cidade desapareceram há muito tempo. Grandes extensões das que ainda restam estão marcadas para morrer, com seu destino escrito como em braille na forma de dezenas de minúsculos furos, não maiores que um ponto deixado por uma caneta esferográfica, sob a casca.
São cartões de visita deixados pelo besouro-da-casca-de-chumbo polífago, uma espécie invasora que assola populações de árvores na África do Sul e em outros lugares. É um inseto não maior que uma semente de gergelim, mas seu impacto ecológico e econômico é gigantesco e continua crescendo globalmente, medido em milhões de árvores e bilhões de dólares.
Originário do sudeste asiático, o besouro infestou todos os continentes, exceto a Antártida, de acordo com um estudo publicado no Journal of Pest Science em junho, escondendo-se em produtos de madeira, plantas vivas e materiais de embalagem. Cerca de 680 espécies de árvores e plantas lenhosas foram atacadas pelo inseto até o momento, segundo uma revisão publicada em julho na revista Forests.
Poucos países sentiram o impacto desse inseto como a África do Sul.
