Pesquisadores da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, identificaram que a velocidade do aquecimento global pode ser tão determinante para a estabilidade da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico, conhecida pela sigla AMOC, quanto o nível de temperatura atingido. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (13) na revista Nature Climate Change.
A pesquisa mostra que um aumento acelerado das temperaturas pode levar a circulação a perder estabilidade em um patamar de aquecimento muito menor do que o previsto em estudos baseados apenas em um limite térmico.
Nas simulações analisadas, a AMOC resistiu a mais de 4°C de aquecimento sob uma elevação lenta das concentrações de CO2, enquanto entrou em colapso perto de 2°C quando a concentração do gás aumentou em ritmo mais rápido.
Os resultados foram obtidos por meio de modelos climáticos desenvolvidos para comparar diferentes velocidades de crescimento do CO2 atmosférico. A conclusão ajuda a explicar por que projeções anteriores chegaram a limites distintos para uma possível ruptura da circulação e reforça que reduzir a velocidade do aquecimento pode diminuir o risco de uma mudança abrupta no sistema oceânico.
Velocidade da mudança altera a resposta do oceano
A AMOC reúne correntes oceânicas responsáveis por transportar águas quentes das regiões tropicais em direção ao Atlântico Norte. Esse mecanismo redistribui calor pelo planeta e contribui para manter temperaturas relativamente amenas na Europa Ocidental.
