A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) autorizou, em caráter temporário e excepcional, a redução da vazão mínima que deve ser mantida no reservatório intermediário da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (13) no DOU (Diário Oficial da União) e vale durante o período seco de 2026.
Pela resolução, a usina passará primeiro por uma fase de testes operacionais com vazões intermediárias até 29 de agosto. Entre 30 de agosto e 30 de novembro, a vazão mínima poderá cair para 100 metros cúbicos por segundo (m³/s). Até então, a regra prevista na outorga da usina exigia uma vazão mínima de 300 m³/s no reservatório intermediário.
Em termos simples, a defluência é a quantidade de água que sai de um reservatório. Ao permitir que Belo Monte libere menos água pelo reservatório intermediário, a ANA busca reduzir a velocidade de queda do nível de água no sistema durante os meses mais secos.
A autorização ocorre em meio à expectativa de piora das condições hidrológicas na região acentuada pelo fenômeno El Niño. No voto que embasou a decisão, a ANA afirma que as chuvas acumuladas entre janeiro e julho de 2026 ficaram em 89% da média histórica para o período. As vazões naturais do rio Xingu também estavam abaixo dos níveis de referência considerados na outorga da usina.
O documento relaciona esse cenário à elevada probabilidade de permanência do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre deste ano e no início de 2027.
