Há documentos que chegam na hora certa. A Magnifica Humanitas, primeira encíclica do papa Leão XIV, publicada no último dia 25 de maio, é um desses. Por coincidência, foi assinada no dia 15 de maio, data em que a Rerum Novarum completou 135 anos. São duas encíclicas que se igualam na preocupação com a ação social da Igreja em defesa da humanidade.
Inicialmente, é preciso lembrar que a Magnifica Humanitas não veio só para os católicos, mas para o mundo inteiro, qualquer que seja a religião ou a ideologia. Veio para alertar a humanidade para não se deixar dominar pelos algoritmos. As palavras iniciais de Leão XIV despertam os leitores com este desafio: "A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos."
A simples leitura do índice da Carta Encíclica nos dá uma visão genérica do teor desse documento. Ali se encontram um roteiro sobre os princípios, a grandeza da pessoa humana, a salvaguarda do humano na transformação, uma análise da cultura do poder e abordagem sobre a civilização do amor. Todos os pontos ali encadeados são relevantes na atualidade, notadamente quando fala do valor da verdade como alimento do bem comum e da democracia para um mundo em que o imaginário coletivo se encontra perigosamente manipulado.
