Um estudo inédito do Instituto Fogo Cruzado revelou que tiroteios na cidade de Salvador afetaram majoritariamente áreas negras e empobrecidas, entre 2023 e 2025. Crianças e adolescentes em escolas nessas regiões vivem em um risco maior, conforme a pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13).
O relatório “A Geografia da Exposição: Disparos de arma de fogo, território e escolas afetadas em Salvador”, realizado em parceria com a Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas, também mapeia e analisa o impacto da violência armada nas escolas públicas da cidade soteropolitana entre 2023 e 2025.
Foram mapeados 3.748 disparos de armas de fogo em Salvador, que resultaram em uma média de 3,4 ocorrências por dia. Desse total, 59% dos tiros (2.206) foram dados em dias letivos e 40% aconteceram à luz do dia, prejudicando diretamente a mobilidade e a segurança da população, pois coincide com os momentos de entrada, saída e recreio dos estudantes
Segundo os pesquisadores, o dado também refuta o senso comum de a violência ser mais intensa apenas nos períodos da noite e madrugada. Além disso, a pesquisa revela que quase 70% dos incidentes registrados em dias de aula derivam de intervenções policiais (37,4%) e de homicídios ou tentativas (32%).
Quando são inseridos os marcadores socioeconômicos e raciais, a análise aponta que dos 163 bairros de Salvador, em apenas oito foi registrado quase 20% de todos os tiroteios no período.
