O Banco Central percebe o custo elevado que os juros na casa de dois dígitos trazem à economia brasileira, mas deverá manter a taxa ainda apertada diante de um cenário que mostra uma série de adversidades.
Essa é a opinião de Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do BC e sócio da Jubarte Capital, em entrevista ao CNN Money.
Apesar da sequência de cortes promovida pela autoridade monetária, que reduziu a Selic de 15% para 14% ao ano nos últimos meses, o economista enxerga que o BC não está promovendo um afrouxamento monetário expressivo, mas sim um ajuste fino.
“O Banco Central vai manter a taxa de juros apertada. O que ele está fazendo é um ajuste fino, dizendo que não precisa de uma taxa tão apertada, mas pode continuar com ela apertada num grau um pouco menor”, afirmou.
O Copom cortou os juros em 0,25 ponto na semana passada, rebaixando a Selic a 14% ao ano, em decisão já bastante esperada pelo mercado. Foi o quarto corte seguido deste tamanho desde março, após mais de seis meses com juros pressionados na casa de 15%.
O comunicado da autoridade monetária foi interpretado pelo mercado com possibilidade de repetição do corte no encontro agendado para setembro, apesar de a maioria dos agentes não concordar com essa decisão.
Para Figueiredo, a autoridade enfrenta uma série de desafios, com destaque para a política fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
