Às vésperas da primeira Copa do Mundo Feminina na América Latina, o Brasil registra um aumento nos casos de violência contra a mulher em dias de jogos de futebol. O resultado do estudo elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi apresentado na última terça-feira, 11, em São Paulo, com as presenças da empresária Luiza Trajano e do ex-jogador Raí.
O estudo correlaciona narrativas de rivalidade, competição, virilidade e dominação como fatores que acabam corroborando para a violência contra a mulher. Os números foram traduzidos em um aumento de 28,9% de ocorrências de lesão corporal dolosa e de 27,4% de amaças contra mulheres.
Os dados foram colhidos via Lei de Acesso à Informação e são baseados em registros oficiais de cinco capitais brasileiras (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador), entre 2023 e 2025. O estudo, que teve a primeira edição entre 2015 e 2018, contou novamente com o apoio do Grupo Mulheres do Brasil, presidido por Luiza.
“O futebol não gera, mas catalisa a violência doméstica. A naturalização de uma masculinidade que opera pela violência, faz com que o homem haja com um salvo conduto para ameaçar, bater, agredir, sem qualquer consequência jurídica. A mulher não está encontrando o diálogo com o companheiro assim que o juiz apita o fim do jogo”, disse Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça do fórum.
