Ter dinheiro disponível e decidir não usá-lo em uma compra começa a fazer parte da estratégia de empresas que enxergam na permuta uma forma de preservar recursos. O modelo, durante muito tempo associado à falta de caixa, ganha outra dinâmica com sistemas multilaterais, nos quais produtos e serviços podem ser transformados em créditos para novas transações.
Na prática, uma companhia pode vender para um participante da rede e usar o valor recebido para comprar de outro, sem que exista uma troca direta entre as duas partes. A lógica permite utilizar estoques, serviços ou estrutura disponível para atender despesas que, fora desse ambiente, seriam pagas integralmente em dinheiro.
“Existe uma percepção de que a permuta é feita quando falta dinheiro. Não é isso que estamos vendo. Há empresários com recursos disponíveis que preferem preservar parte do caixa quando conseguem fazer a mesma compra utilizando aquilo que o próprio negócio produz”, afirma Marcos Koenigkan, empresário responsável pela operação do Clube de Permuta em São Paulo.
A diferença em relação à troca convencional está justamente na possibilidade de realizar negócios com participantes distintos. No formato bilateral, duas partes precisam ter interesses recíprocos no mesmo momento. No multilateral, quem vende acumula créditos e pode utilizá-los posteriormente com outros integrantes da rede.
O sistema funciona de maneira semelhante a uma conta corrente corporativa.
