O novo livro de Claire Stapleton, ex-funcionária do Google que ajudou a organizar a greve de 2018 contra a forma como a empresa tratou denúncias de assédio sexual, conta como ela passou de defensora da companhia a uma de suas críticas. Em “Don't Be Evil” ("Não seja malvado", em português), a especialista em comunicação descreve mudanças na cultura corporativa, conflitos com gestores e o processo que culminou em sua saída da empresa.
Stapleton entrou no Google em 2007, logo após concluir a faculdade, e rapidamente ganhou espaço na companhia. Seu trabalho na área de comunicação ajudou a construir a imagem pública do Google e lhe rendeu o apelido interno de “Barda do Google”. Ela descreve aquele período como uma espécie de “bilhete dourado do Willy Wonka”, em entrevista à Ars Technica, pela sensação de ter conseguido um dos empregos mais disputados do setor de tecnologia.
A relação com a empresa começou a mudar quando Stapleton foi transferida para o Google Creative Lab, em Nova York. Ela descreve o ambiente como “meio utópico, meio distópico, e incapaz de distinguir um do outro”. Segundo seu relato, faltavam orientação e direcionamento da gestão, enquanto parte das atividades era voltada ao que classificava como um “tecno-otimismo enjoativo”. Depois de cerca de um ano, ela foi para a equipe de marketing do YouTube.
Da admiração à ruptura
A insatisfação se intensificou até a greve global de 2018, organizada por cerca de 20 mil funcionários.
