A margem líquida da produção de soja sobre o custo total deve cair para 2,8% na safra 2026/27 no médio-norte de Mato Grosso, segundo projeção do analista Carlos Cogo. O percentual é o menor da série apresentada por ele e representa novo recuo em relação aos 3,3% estimados para 2025/26 e aos 5,4% registrados em 2024/25.
Os dados foram apresentados por Cogo durante o Congresso da Andav, que reúne representantes da indústria e da distribuição de insumos agrícolas. A série considera a margem líquida sobre o custo total de produção, em valores nominais.
A rentabilidade da soja chegou a patamares muito mais elevados durante o ciclo de valorização das commodities. Na safra 2020/21, por exemplo, a margem sobre o custo total atingiu 55,6% no médio-norte de Mato Grosso. No ciclo seguinte, ficou em 43,4%.
Desde então, o indicador perdeu força. A margem recuou para 8,8% em 2022/23, ficou em 9,4% em 2023/24 e voltou a cair, para 5,4% em 2024/25 e 3,3% em 2025/26. Para 2026/27, a projeção apresentada por Cogo é de 2,8%.
Apesar do aperto, o analista destacou que a rentabilidade do produtor brasileiro ainda permanece no campo positivo. Ele comparou a situação com a dos agricultores dos Estados Unidos, que, segundo Cogo, enfrentam margens negativas há cerca de três anos em culturas como soja e milho.
“Estamos numa margem apertada, mas não é negativa”, afirmou.
