Nenhum país domina sozinho a cadeia digital, mas isso não anula a soberania nacional. A visão foi compartilhada em um debate do CPDP LatAm 2026, evento sobre governança de dados e privacidade realizado pela FGV Direito Rio, nesta quarta-feira (12).
Segundo o coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS-FGV), Luca Belli, o cerne da soberania digital está na liberdade de trocar de tecnologia quando ela não atende mais aos interesses do país.
"Soberania digital é escolha, é a capacidade de dizer: eu não estou gostando dessa tecnologia, eu vou mudar e não ser preso em um sistema que não se conhece e não pode ser controlado", disse.
Essa liberdade de escolha, porém, não elimina as dependências que já existem. Afinal, os dois fatores coexistem: mesmo os países mais avançados digitalmente ainda dependem de peças que não controlam sozinhos, seja hardware ou software.
O embaixador Eugênio Garcia, diretor do Diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Itamaraty, reforçou o argumento ao defender a diversificação de fornecedores como uma forma de reduzir riscos.
Nesse caso, depender de um único fornecedor externo deixa o país vulnerável diante de qualquer instabilidade, inclusive geopolítica. "Você tem que garantir um poder de escolha. Isso é essencial, margem de manobra", afirmou.
Não há soberania completa
Nenhum país escapa dessa lógica de interdependência.
