Daqui a mais de 600 milhões de anos, a Terra vai perder um dos espetáculos mais impressionantes do céu. Uma transformação que já está em curso, embora imperceptível para nós, acabará mudando para sempre a forma como Sol, Lua e Terra se alinham.
A existência do eclipse solar total depende de uma coincidência: vista da Terra, a Lua apresenta um tamanho aparente muito próximo ao do Sol. No entanto, o resultado desse alinhamento varia conforme a distância do nosso satélite natural em relação ao planeta.
No eclipse parcial, apenas uma fração da estrela é coberta. No anular, a Lua está mais distante e parece pequena demais para ocultar todo o disco solar, deixando exposto um anel luminoso. Já no total, a Lua encobre o Sol por completo para quem está dentro da faixa atingida pela sua sombra mais escura, revelando a coroa solar. Há ainda o eclipse híbrido, um tipo raro em que o fenômeno varia entre anular e total dependendo da localização do observador.
Nesta quarta-feira (12), um eclipse solar total é observado em partes do Ártico, Groenlândia, Islândia, Espanha e Portugal, enquanto outras regiões da Europa, África e América do Norte enxergam apenas a versão parcial.
A razão pela qual o fenômeno não é visível em locais fora desse trajeto, como o Brasil, resume-se à própria geometria espacial, como explica Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional (ON) há mais de 45 anos e gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP).
