O uso de um caminhão de catering pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma fuga secreta em meio a uma ameaça do Irã é o mais recente episódio embaraçoso de uma guerra que repetidamente desafia suas declarações de vitória.
O Serviço Secreto cumpriu seu papel ao usar qualquer método necessário para retirar Trump da Turquia em julho, utilizando, no fim, um jato alternativo ao que vem trazendo presidentes de volta para casa com segurança desde os anos 1990.
Mas as revelações tardias sobre o drama, divulgadas primeiro pelo Washington Post, desencadearam uma grande tempestade política. De forma mais significativa, a manobra evocou novas imagens prejudiciais sobre uma guerra impopular que Trump não consegue encerrar.
A existência de uma potencial ameaça contra o presidente não significa, por si só, que sua guerra contra o Irã é um fracasso. Mas o espetáculo de ele partir incógnito após uma cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) provavelmente será interpretado no exterior como um novo ultraje ao poder americano.
Isso também levanta a seguinte questão: se Trump não consegue garantir sua própria segurança no território de um grande aliado, como a afirmação de seu governo de que praticamente obliterou a capacidade militar do Irã e a ameaça terrorista regional pode ser plenamente acreditada?
O Irã ainda não se manifestou. Mas seu aparente sucesso em forçar metaforicamente Trump a se esconder é um golpe de propaganda.
