O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (12) que o governo dos Estados Unidos agiu de forma "bizarra" ao anunciar e dar andamento à indicação de Daniel Perez para a embaixada no Brasil antes da concessão do agrément, autorização formal necessária para que um embaixador seja aceito pelo país onde servirá.
A declaração foi dada durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
Segundo Amorim, Washington descumpriu procedimentos diplomáticos consolidados internacionalmente ao divulgar a indicação e encaminhá-la para análise do Senado americano antes de receber a concordância formal do governo brasileiro.
"O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais", afirmou.
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O assessor também questionou o momento da indicação e sugeriu que a decisão teve motivação política.
"E é curioso porque eu acho que essas coisas não podem ser vistas em abstrato. Isso não aconteceu por acaso. Os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui, quer dizer, logo que saiu o governo Biden, a embaixadora saiu, e ficou um ano e meio.
Amorim diz que EUA agiram de forma 'bizarra' e 'às pressas' ao indicar embaixador para o Brasil: 'Não foi por acaso'
