*Por Carol Luck
A inteligência artificial colocou os dados no centro da disputa econômica global. Mas, antes de discutir quais modelos de IA o Brasil será capaz de desenvolver, existe uma questão básica (e estratégica) que precisa ser enfrentada: o país tem infraestrutura suficiente para processar, armazenar e transformar a quantidade crescente de informações que essa tecnologia exige?
A resposta ainda é incerta. O avanço da inteligência artificial expõe uma fragilidade que vai além da tecnologia em si. Sem redes de alta capacidade, centros de processamento, armazenamento adequado e uma cultura de adoção, o Brasil corre o risco de ocupar uma posição predominantemente dependente em uma das transformações mais importantes da economia contemporânea.
Falar em soberania digital, portanto, não significa apenas defender a criação de tecnologias nacionais. A verdadeira autonomia está na capacidade de participar da cadeia de valor da inteligência artificial, garantindo que empresas, universidades e governos tenham condições de produzir conhecimento, compartilhar dados e desenvolver soluções próprias.
A colaboração pode acelerar a capacidade brasileira em IA
Essa construção depende de uma articulação entre três agentes que historicamente nem sempre trabalham de forma integrada: setor público, academia e indústria. Um exemplo está na relação entre grandes empresas e centros de pesquisa.
