Um decreto assinado por Mojtaba Khamenei, que oficializou a nomeação de interinos da Guarda Revolucionária como titulares, representa uma virada histórica na estrutura de poder do Irã. Para Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme, ao WW, o ato marca o que ele chama de “nascimento da República Islâmica 3.0”.
O decreto, assinado na segunda-feira (10) e oficializado posteriormente, consolidou uma nova configuração de comando no país. Segundo Moita, as mudanças indicam uma clara unidade de comando e um novo sentido estratégico para o regime iraniano.
Nomeações reforçam caráter militarizado do regime
Entre as principais alterações, Mohammad Bagher Zolghadr foi retirado do cargo de secretário do Conselho de Segurança Nacional, sendo substituído por Mohsen Rezaei.
Além disso, outras figuras descritas por Moita como “velhíssimos falcões da política islâmica”, que haviam sido deixados de lado pelo antigo aiatolá Ali Khamenei, retornam agora ao centro do poder com o filho, Mojtaba.
O analista destacou ainda que o novo chefe de Estado-Maior provém da Guarda Revolucionária e tem um mandado claro de unificar a cadeia de comando.
Para Moita, isso não configura um regime militar no sentido clássico, em que as forças armadas ditam o poder, mas representa um regime “altamente militarizado”, no qual uma força armada governa em nome de um líder supremo que, nas palavras do especialista, “não se vê, não se ouve e não se diz”.
